19 junho 2012

À ela, à uma mãe, à uma grande mulher


Este post é um candidato ao Melhor post do Mundo, da Limetree




Márcia permitiu a vida à uma criança com seus 16 anos recém completos e toda inocência e inexperiência da idade. Marcos tinha seus 20, quando descobriu que ia ser pai. Era 1988. Poucos mêses de namoro e muita ousadia levaram esses dois jovens à incrível e inesperada aventura que é ser pai e mãe! Márcia nao sabia o que ia acontecer, temia a reação do seu pai tão conservador e religioso. Pensava: Ele vai me matar e expulsar de casa!

Com a curiosidade e rebeldia da geração, foi descobrindo a vida por conta própria, pois os pais não a instruiam para nada. A mãe de Márcia, era uma linda mulher que também foi mãe jovem, pois se casou com seu pai aos 17 anos. Apesar de pouco informada, dona Lúcia sempre batalhou e correu atras para que seus 6 filhos estudassem. Se nao fosse por ela, nenhum tinha terminado a escola e menos ainda entrado na universidade.

Ao engravidar na adolescência na década de 80 sem estar casada, Márcia se viu o alvo das criticas e senhoras fofoqueiras de plantão. Conhecida como a boazinha da familia, a ingenuidade natural não deu espaço ào medo do que estava por vir, e mesmo com todos os pesares ela só pensava uma coisa: Eu quero esse bebe. Branco ou negro, macho ou fêmea, gordo ou magro, eu quero, aceito esse amor, aceito como benção, vem meu filho, vem que eu estou aqui.
A verdade é que ela não tinha idéia do quanto sua vida iria mudar, mas não tinha medo do futuro, pois afinal, Márcia era menina sonhadora.

Depois de enfrentar a tudo e a todos, Marcia seguia seu namoro com o futuro papai Marcos. Ele estava muito temeroso em ser pai, pois não havia convivido com o seu ao longo dos seus 20 anos, e não sabia como era esse negócio de ser pai. Um dia movido por algo forte que mexeu com seu íntimo, perguntou à Márcia:
Voce quer casar?
Márcia respondeu:
Não, não precisa casar. Só quero que você fique perto de mim e não me deixe sozinha.

Barriga cresce, e alguns dias antes do casamento acertado pela família, Marcos vai à casa dos pais de Marcia, onde a mesma passava seus dias a abrigar o fruto deles dentro de si. Aquele seria um dia normal, se nao fosse a apreensão e desconforto que Marcos apresentava diante de Marcia. Ele agia como se algo muito sério estivesse para acontecer.

Depois de tentativas mal sucedidas de Márcia em querer saber o que estava a acontecer, Marcos resolve ir para casa. Se despede com um beijo e dá uma carta para Márcia. Olha nos seus olhos e diz: "Promete pra mim que você só vai ler essa carta amanhã?"
Márcia, boa menina como é responde:"Tudo bem."


Dias se passam e Marcos não dá noticias. A mae de Márcia preocupada com o futuro da filha vai à casa dos avós de Marcos à procura do mesmo. A família de Marcos diz que não sabe aonde ele está, diz que foi embora pra longe. Dona Lúcia que não é boba nem nada, foi ao cartório verificar se os documentos estavam lá para o casamento, mas apenas constatou o que ja sabia: o RG de Marcos ja não estava mais la.

Márcia ao receber a noticia não acreditou, lembrou da carta e foi buscá-la para finalmente lê-la.
"Mãe, ele me abondonou", disse ela, entre lágrimas. A mãe a consolou. A doce Márcia passou dias chorando. Estava desolada, desconsolada, escutava a todo instante de todos: "Não chora, que se você chorar, o bebê também chora". E ao escutar, conseguia parar um pouco.

Foram meses difíceis. Marcia agora estava sozinha. Culpava a família de tal ocorrido. Dizia que a culpa era deles por terem pressionado o casamento. Queria entender. Queria respostas. Queria morrer.

Fim do ano se aproximava, o enxoval estava pronto. Márcia encontrou no trabalho o refugio para esquecer do ex-namorado. Fazia dindins dia e noite, com o seu barrigao a tiracolo. Vendia-os a 10 centavos a unidade. Todos os dias de manha cedinho tinha cliente na porta para comprar os saborosos dindins da Márcia.

O berço, ganhou de uma tia, que tinha um bebê de um ano e vivia financeiramente bem. As fraldas de pano, roupinhas, broches, produtos de higiene pessoal e todos os trequinhos que um bebê necessita, ela comprou com seu dinheiro suado. Os pais de Márcia também a ajudaram como puderam.

Foram 40 semanas à espera daquele dia. Era 1989, dia 11 de janeiro quando Márcia sentiu uma dor na lombar. As dores eram fraquinhas, mas persistiram durante todo o dia. Ao perceber que as dores de Márcia iam aumentado de itensidade, sua mae, parideira experiente disse: "O seu bebê está chegando!". E foram ào hospital.

Quando chegou aquela mocinha com cara de menina, com o barrigao imenso, as enfermeiras a acomodaram e logo depois a internaram. Márcia ficou toda a noite, a madrugada daquele dia 12 de janeiro, a manha e tarde do outro dia em trabalho de parto. Depois de seus 4cm de dilataçao estagnados, e muito tentar parir o seu bebe, teve que recorrer à cesarea. Ela já agradecia à Deus, pois estava enfadada de tanto cansaço.

Eram 19h do dia 13 de janeiro de 1989 quando Márcia escutou um chorinho de um bebê, não UM chorinho, mas O chorinho, que ela se lembraria pelo resto da sua vida. O médico logo anunciou: "é uma menina mamãe, e é linda, parabéns". Marcia nao quis saber o sexo do bebê antes do nascimento e ficou feliz ao saber que era uma menina, a sua menina, aquela que iria ser sua grande companheira pra vida toda.

Ela a viu e chorou...


(...)

Ha 23 anos atrás, essa história se passava em Fortaleza, capital do Ceará, Marcia hoje tem mais um filho. Ela continua guerreira e segue na luta diária para ser feliz. Foi e é uma grande mãe. Sempre priorizou auxiliar os filhos a buscarem seus sonhos e serem felizes. Márcia, essa grande mulher é a minha mãe, que merece todos os parabéns neste dia tão especial da minha vida.

Hoje faço 23 anos graças à sua coragem, garra e força. Ela enfrentou o mundo e o tudo para me tornar a mulher que ela sempre quis ter tido a oporunidade de ser. Muito da vida eu aprendi sozinha, através de outras pessoas e das minhas próprias experiências, mas esse foi o objetivo. Minha mae me deu o melhor que ela poderia ter me dado: Amor, respeito, carinho, verdade, credibilidade, educação, força. E quando o tempo quis, eu fui e andei com as próprias pernas. Fui criada para o mundo.

Hoje eu tenho sonhos e eu corro atras deles porque um dia alguém acreditou neles mais do que eu mesma. Hoje meus parabéns vai à ela, à mãe, à minha mãe. Parabéns por ter me amado e aturado por 23 anos. Sou muito feliz de ter voce como minha mãe. Feliz aniversário para mim. Obrigada meu Deus. Que o senhor abençõe a mim e àos meus para vivermos saudáveis e felizes por muitos e muitos anos mais.

Marcia's baby (me!)

Marcia e seus 2 filhos Milena e Mota Filho (Ela vai me matar por divulgar essa foto!)

Mae e filha em versao melhorada!



Observação: Texto originalmente escrito no dia 13 de janeiro de 2012(o dia do meu aniversário) Link aqui

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Um comentário:

  1. Linda história de garra e amor. Parabéns a tua mãe pela força que teve.
    Beijos

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