05 março 2014

Era pra ser segredo, mas casei!

Eu sempre tive na minha cabeça que só iria casar quando tivesse certeza (ou acreditasse profundamente) que iria ser para sempre, tive pais separados desde sempre, e apesar de ter sido muito amada e suprida na carência de pai na minha infância (tive um padrasto maravilhoso que até hoje chamo de pai, ele é pai do meu irmão) sempre quis ter uma família estruturada, um pai e mãe juntos, com os filhos de ambos, criando, crescendo e vivendo juntos até a velhice.

Quando fiquei grávida do meu namorado meu chão se abriu, meus sonhos se divagaram, se confundiram, me senti estranha, triste e feliz ao mesmo tempo, o Alan sempre me apoiou e ficou ao meu lado, todas as decisões que tomei foram rapidamente pensadas e conversadas com ele, rapidamente porque a gente não tinha planejado nada daquilo, na verdade a gente não tinha nem imaginado, quando vimos tínhamos uma criança, pedaço de nós vindo e mudando tudo nas nossas vidas.

Quando descobri a gravidez a gente tava junto há apenas um ano, então apesar do Alan sempre ter dito "estou com você, amor", quando alguém nos perguntava sobre casamento eu tomava a frente e respondia: "não, casamento agora não, quem sabe um dia né amor?", quando alguém insistia no assunto eu dizia: "Não. Não assim, eu não sonhei assim". Sabe, o meu sonho não era casar por causa de um filho, até porque filhos não fazem casamento. Meu sonho era casar com alguém que eu amasse e que quisesse construir a vida, dividir os sonhos, e aguentar as dificuldades do futuro juntos. Não que o Alan não fosse essa pessoa, eu o amava e claro que tinha planos de casar com ele, mas planos distantes. Quando eu me formasse, quando tivéssemos uma casa, estabilidade e uns anos de namoro. Queria ser pedida em casamento e ficar noiva por um tempo, organizando o casamento, os chás de panela, lingerie e mais infinitas coisas lindas que se faz quando se casa.

Eu pensava em casar, mas tinha medo, nos conhecíamos há tão pouco, além de não querer comprometer o meu futuro, não queria que ele tomasse essa decisão por emoção. Casamento é coisa séria e no meu caso, tem que ser para sempre. Vai ser para sempre.

A gravidez passou, o Luigi nasceu, e uma coisa eu descobri, filho realmente não faz casamento, mas ver o amor, o carinho, a atenção do Alan com Luigi me faz amá-lo mais a cada dia, depois que o Luigi nasceu um amor louco invadiu minha vida. Todo o cuidado do Alan para comigo e nosso filho foi algo que realmente me fez ter certeza que eu queria estar ao lado dele pro resto da minha vida. A convivência foi muito mais viva, só tínhamos um ao outro e um pequeninho que dependia exclusivamente de nós. Tivemos que aprender a ser pai, mãe, marido e mulher sem nunca ter sido preparado, ensinado, escolhido. Claro que isso tudo que eu estou falando é relativo, não planejamos a gravidez mas vacilamos na prevenção, isso foi uma escolha, mas digamos que meio inconsciente, quando você escolhe ser pai ou mãe você se prepara físico e psicologicamente para isso. Com a gente foi tudo de repente, e muito difícil.

Eu sempre soube que o Alan era o tipo de cara que eu queria casar, a gente sempre se deu bem, sempre conversou bastante, sempre riu muito juntos, sempre se respeitou, jogou aberto, foi sincero, na hora das brigas ele sabe como controlar minha irritação e chatice e me ajuda a não perder o controle. Eu o ajudo a ter mais direção. A gente sempre sonhou junto, se incluiu nos planos antigos, se adaptou aos costumes e culturas diferentes. Tipo, eu queria casar com alguém como ele, podia ser ele, mas não assim, não porque a gente tinha errado e invertido a ordem natural das coisas, dos sonhos.

Ahh, eu e minha cabecinha. As coisas nem sempre saem como eu sonho, ou como você sonha, né? Mas isso não significa que isso é ruim. A vida passa, a gente muda, tudo muda! Um dia conversando sobre casar comentamos: "vamos ficar juntos para sempre?" "vamos!" "mas a gente casa?" "você quer?" "quero mas eu quero fazer festa, eu sempre sonhei com isso" "então a gente faz quando a gente puder, quero te dar a festa mais linda desse mundo" - Beijos longos.


Dias passam, e resolvendo documentos de dupla nacionalidade a mulher pergunta: "vocês são casados?", "Não", "Ah, tá, é que se fossem facilitaria". No Natal a sogra comentou: "bem que vocês poderiam casar logo né? Vocês já vão casar mesmo, só não casam por causa de festa, ah deixa isso pra lá." Isso trouxe novamente o assunto para os nossos diálogos. "vamos casar no civil logo? A gente resolve logo esses problemas dos documentos e tua mãe fica satisfeita de ver a gente casado", "você quer mesmo?", "Só se ninguém souber!", "por mim, tudo bem" "por mim também", mas não conta para ninguém amor, porque se não quando a gente for fazer a festa não vai ter graça", "Tá bom", "Ahhh e a gente não usa aliança viu?" "tá, tá bom amor a gente casa em segredo então".

Decidido isso fomos organizar os papéis, vir para Fortaleza, preparar tudo para o grande dia secreto. No meio dessa organização toda a minha sogra chega e me lança: "As alianças eu que vou dar para vocês viu? Não se preocupem! Elas foram dos meus sogros que deram para mim quando eu casei com o pai do Alan, usamos por muito tempo também e eu prometi que daria ao meu primeiro filho que casasse. Agora vou dar para vocês, a terceira geração que vai usar, mas ó, conheço o Alan e sei que ele vai dizer que não precisa mãe, imagina mãe, não se preocupa, mas você Milena, você diz para ele que você faz questão de receber viu?"

Morri!!!!!!!!!!!

PAUSA.

Posso chorar? Choro porque é lindo, choro porque é maravilhoso, choro porque tô me sentindo "A especial" ou choro porque SOU UMA BOBONA QUE NÃO QUER MOSTRAR PARA NINGUÉM QUE CASOU PORQUE QUER FAZER UMA FESTA UM DIA QUE NINGUÉM VAI VER MUITA GRAÇA PORQUE JÁ ESTÁVAMOS LEGALMENTE CASADOS MUITO TEMPO ANTES DA TAL FUTURA SONHADA FESTA ACONTECER??????????????
-Nenhuma das opções acima!

DESPAUSA

Engole o choro para a sogra não ver que realmente você é uma bobona chorona e aceita o presente ca-la-da, nem fala que tu não pretende usar agora, que isso, que aquilo, porque vai que ela além de desistir de dar esse presente mais lindo do mundo todo, ela ainda convence o filho que você não é digna de ser uma Formagio.
"Aceito! Claro! O Alanzinho não tem jeito mesmo né? Ele vai usar a aliança, não se preocupa, ele vai amar, a gente tava mesmo conversando quando que íamos comprar as alianças!" Eu disse.

Depois de alianças na mão, dois bobões emocionados num cartório, uma calça hippie, uma avó de testemunha, uma funcionária maluca de fotografa e uma juíza cansada no final de expediente eu virei Milena Lanne Barros Eleoterio Formagio Amém! No dia 01 de junho de 2012, num cartório da cidade de Fortaleza.

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Ter sonhos é realmente essencial para viver nesse mundo hoje em dia. Os meus crescem a cada dia, nascem a cada amanhecer e mudam com as circunstâncias, com o meu mudar. Hoje eu casei, não foi como eu sonhei, não foi como eu imaginei, mas isso é tão pequeno perto da felicidade que é compartilhar a vida com alguém que você realmente ama e quer amar até morrer. Agradeço a Deus pelo meu marido, pelo meu filho e por ter me dado a oportunidade de construir a minha família, sou realmente abençoada por Deus, porque mesmo tão rebelde Ele sempre me enche de luz, vida e saúde. Obrigada Senhor e sogrinha pelas também abençoadas alianças. Obrigada à família e aos amigos pelo suporte, amor, carinho, conselhos, força e confiança e um obrigada especial à minha amiga Nayanne da Luz que acordou cedo, e me quebrou o galho sendo minha testemunha de última hora juntamente com a minha avó Lúcia.


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Ei, mas vem cá, não era para ser segredo?Ahhh! Pois é, depois que a gente saiu do Cartório, tudo o que menos me importava era esconder de alguém que eu estava feliz e... casada!