22 setembro 2014

Um não ao conceito "mãe perfeita"

Esse texto foi escrito originalmente no dia 05/12/12 e foi ao ar no site mais querido de mães MMqD, ele pode ser lido originalmente aqui.

Ser uma super mãe não é deixar de viver sua vida para viver a vida do filho. Somos seres humanos individuais que merecemos atenção, tempo e cuidado também. Você errar em algum sentido não é ser menos mãe, você se acomodar no erro, ter consciência dele e não querer uma mudança sim. Mas nós mães queremos ser perfeitas, queremos o melhor para os nossos filhos, queremos que tudo saia como planejado.

Sinceramente? Quando se trata de pessoas nada pode ser milimetricamente planejado. A gente pode dar tudo de nós, fazer sempre o certo, isso é maravilhoso por um lado - Consciência tranquila em relação à nossa conduta como mães. Mas no momento que você dá o seu melhor, você espera o melhor. Isso é o retorno que você espera naturalmente de todo o seu esforço, dedicação e amor. Não adianta falar: Amo meu filho, educo, ensino o certo e não espero nada em troca. É mentira!

Eu amo meu filho, ensino sobre o amor, cuidado com a natureza, dou educação, dou estudo, dou alimentação saudável, dou carinho, afeto, vínculo, amamento, não ofereço remédios em vão, não incentivo ao consumismo. Tudo isso em troca de que ele seja uma criança saudável, um adulto responsável, sociável, confiante, forte, pensante, formador de opinião, resolvido, feliz etc. Essa é a troca que eu espero e isso é involuntário.

Sou a mãe perfeita? Não. Definitivamente não. Dou muito de mim ao meu filho, mas me guardo um pouco também. Luto contra o egoísmo natural que nos é implantado pela sociedade egocêntrica em que vivemos mas ainda tenho meus momentos "eus", "meus", "e apenas eu". E não me acho menos mãe por isso. Me acho uma super mãe, essa é a verdade. Não faço tudo o que eu gostaria de fazer mas o que eu faço pelo meu filho é de todo o meu coração. Todo o tempo que temos juntos é aproveitado por ambos com a intensidade que precisamos.

Sinceramente estou até com repugnância de mães que tentam ser SUPER HIPER MEGA ULTRA perfeitas. Gente, eu me acho uma mãe dedicada, mas nem por isso levo meu filho todos os dias para passear em um parque e ter contato com a natureza, os seus brinquedos não são 100% educativos, a alimentação dele não é 100% saudável, eu não faço atividades estimulantes com ele todos os dias, eu não ensino uma palavra nova a cada dia, ele dorme sem tomar banho várias vezes, ele troca a comida de panela pelo peito várias vezes, ele esfrega a comida no chão antes de colocá-la na boca várias vezes. Ele fica cagado por uns longos minutos várias vezes até que eu - pessoa muito atenta, ui! - perceba.

Pronto, sou uma mãe perfeita porque dou o meu melhor para o meu filho, pesquiso sobre tudo e me empodero da maternidade. Não aceito qualquer coisa que me digam sem antes consultar os universitários, os blogues, o Google, os livrinhos que ganhei no postinho de saúde, ou os maravilhosos textos da Ligia (cientista que virou mãe). Aceito o que é certo, o que estudos me mostram que está certo, não o que a vizinha disse que a prima do marido passou. Não o que o médico, o dono da farmácia, a tia ou a avó me diz.

Aceito o que eu acho que é certo baseado em estudos, mas nem sempre trago pro meu mundo tudo o que é certo. Não porque não queira. Ahhh, na verdade tem mil porquês. Não trago porque não quero, porque na minha casa funciona de outro jeito, por preguiça, por cansaço, por conveniência, etc.

A verdade é que eu estou cansada dessas mães tentando serem perfeitas na blogosfera e nas redes sociais. Gente, quando geramos expectativas demais em algo e isso não acontece gera frustração, conhecem isso? Você é radical, não dá NA-DA artificial pro bebê(s), não deixa a comida passar do horário um dia sequer, todos os dias faz atividades montessorianas com o menino. Lave as mãos! Escove os dentes! Não coma do chão! Tá na hora de dormir. AGORA!

Que fique claro que eu não apoio alimentos artificiais para bebês, o meu só come coisas naturais e não come nada com açucar, ele tem 13 meses. Apoio uma rotina para bebês e crianças, apoio cuidados com higiene, cuidados com o intelecto da criança, cama compartilhada, amamentação prolongada, vínculo, estímulos, abomino a prática ao consumismo infantil, o descaso, o desrespeito.

Ahhh Milena então eu não entendi foi nada. O que você quis dizer com tudo isso? Gente, por favor eu não concordo com RADICALISMO, extremos, cobrança excessiva, expectativas radicais. Você merece ser você, você merece ser feliz. Empoderamento é buscar informação e saber trazê-la pro seu lar da melhor maneira possível, sem stress, sem essa auto-cobrança incessante, na verdade é esse sentimento de: "O certo é depois de 1 ano o bebê deve mamar 2 vezes ao dia, o pediatra que disse". Meu filho mama em livre demanda e eu não me sinto mal por isso, eu não me cobro porque eu não faço como o pediatra falou.

Passei por uma situação na minha vida que até hoje guardo mágoas. Há uma pessoa na minha família difícil de lidar. Um dia após muito tempo sem vê-la fui deixar minha prima na casa dela para passar uns dias de férias, cheguei na expectativa de ver o seu filhinho que tinha uns 10 meses na época. Com um presente na mão apertei a campainha da casa. Eram 20:30h. Ela abriu a porta e foi super grossa porque tinha me avisado para não tocar a campainha e o bebê ia acordar, ele dormia ás 20h pontualmente. Sai de lá chorando, deixei o presente em qualquer lugar e fiquei muito tempo sem vê-la.

Moral da história: você dedica toda as sua vida, achando que tá fazendo tudo perfeito, com regras, com hora para tudo, cozinhando comida orgânica todos os dias, abrindo mão de muita coisa, sem tempo para nada além do seu filho, para quando ele fizer 18 anos ir morar fora, conhecer uma gringa, casar e ficar por lá, falando com você uma vez por mês. Eu fiquei muito tempo magoada com essa pessoa por causa dessa história que ela poderia ter evitado não sendo extremista e deixando o filho dormir meia hora mais tarde naquele dia.

Enfim, toda essa história para de repente fazer você refletir que você também é uma pessoa que merece cuidado, atenção e amor. O meu amor pelo meu filho é incondicional, sem dúvidas, mas costumo dizer que meu marido é meu grande amor, aquele que quando o filho tiver criado e for viver a sua vida, vai continuar ao meu lado sendo meu companheiro. Filhos são do mundo, sempre tive consciência disso. Ele não é meu, eu apenas finjo que o possuo e aproveito todo o tempo que isso ainda me é permitido.

Espero de todo coração ter passado a mensagem certa. Essa mensagem se destina à mães empoderadas, que sabem o que é o certo, que buscam informação e não aceitam qualquer coisa para os filhos. E não àquelas que precisam de uma desculpa para justificar os erros e ter desmamado o filho com 3 meses para ir pra balada, ou de compensar a ausência com presentes caros.



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