05 setembro 2014

Uma história sobre escolhas para os meus filhos

Querido Luigi e futuros filhos que ainda não vieram ao mundo,


Sou daquelas pessoas que adora escutar histórias. Daquelas que ama perguntar, interrogar e entender as pessoas - ou pelo menos tentar. Por muito tempo achei que seria psicóloga, justamente por ser tão apaixonada por pessoas e ter paciência de ouvir e ajudá-las a resolverem seus problemas - graças a Deus não fui. Fico extremamente envolvida e reflexiva ao conhecer pontos de vista e histórias de vida das mais diversas possíveis, inclusive totalmente diferentes do que eu vivenciei.

Ontem antes de dormir seu papai me perguntou "Mas como a Fulana de tal mal conhece você e já te contou toda a vida?" Eu respondi "Não sei, amor, talvez eu tenha algo que deixe as pessoas confortáveis para desabafar, talvez elas me achem confiável - ou talvez eu pergunte além da conta mesmo".

O fato é que sei muita coisa de muita gente, e Alan diz que é porque sou *fifi. Tá, eu gosto de saber das histórias, afinal, quem não gosta? Mas não saio espalhando para o mundo, sinceramente sei guardar muito bem segredos. Aqueles que me confiaram tantos quantos, dos mais cabeludos - aos sem cabelo, podem confirmar isto.

Falei sobre isso porque faz um tempo que ouvi uma história sobre um amor que começou sem que uma outra história anterior houvesse acabado por completo. Maria (nome fictício) se envolveu com um homem teoricamente casado, mais velho e rico. Falo teoricamente casado pois a pessoa ainda vivia em casa com a ex-mulher mas não tinham nada há algum tempo. Começou-se um relacionamento e logo foi gerada uma vida. Maria não teve intenção de engravidar e tudo isso gerou um verdadeiro caos.


Hoje Maria tem uma criança, o pai está com eles mas vivem numa situação de perigo constante, já que a ex-mulher os busca para matar constantemente. Maria tenta a qualquer custo ser feliz, mas como ser feliz com um passado que não quer deixar o presente? Maria não pode viver como sempre sonhou. Agora no auge dos seus 30 e poucos, ela tem um marido, uma criança - fruto desse amor -, uma casa dos sonhos, uma conta recheada de verdinhas mas não tem paz, não pode viver e usufruir de tudo o que conseguiu. Pelo menos não por agora.


Como todas as história que eu ouço, eu paro, penso, reflito e guardo. As vezes compartilho com o Alan ou com alguém bem próximo. Quando é algo muito confidencial nem comento com ninguém, apenas guardo. Quis registrar essa história para que um dia vocês leiam e saibam que na vida, diversas coisas podem acontecer. A vida não é nada previsível meus filhos, mesmo que nós a planejemos e aprendamos a programá-la, ela sempre pode nos surpreender de uma maneira boa ou ruim.

Acredito do poder das consequências. Assim foi comigo, assim foi com os meus pais, logo, assim tem sido minhas crenças. Sofremos ou usufruímos das consequências das atitudes e decisões dos nossos pais, ou avós, ou bisavós. Vivenciamos hoje o que plantamos ou o que plantaram no passado. Vocês irão receber o que derem deste mundo e para este mundo.

Acredito no poder das escolhas e na filosofia do plantar e colher. Mamãe escolheu papai. Papai escolheu mamãe. Hoje somos muito felizes, e cada vez que conheço histórias como a de Maria, fico ainda mais certa de que fiz a melhor escolha. Se um dia tiverem dúvidas de qual caminho seguir, escolham o que os fará mais felizes. Espero passar pra vocês o sentido de felicidade que eu e seu pai compartilhamos. Há muita felicidade em pequenas coisas e nem sempre dinheiro é sinônimo de plenitude. Ultimamente tenho cada vez mais visto e ouvido pessoas que tem tudo material mas não são felizes, não tem paz e se sentem vazios.


Voltando a história da Maria. Porque contei essa história pra vocês? Maria escolheu entrar em um relacionamento com alguém que ainda não tinha acabado uma outra história de amor. Por mais que ele não tivesse mais nada com a ex-mulher, eles ainda compartilhavam do mesmo teto, saiam e entravam pela mesma porta, se viam, se falavam. Relacionamento é algo muito difícil meus filhos, e eu acredito que mesmo quando não há mais amor entre o casal, ainda que esteja claramente desgastado e morto o relacionamento, lá no fundo ainda há sentimentos, existe uma história e muito apego à ela. Ao ver que o marido saíra de casa para viver um novo amor, a ex-mulher sentira de verdade a perca de tudo o que viveram. 

Há como julgar algo ou alguém nessa história? Há como dizer quem está errado ou quem está certo?

A ex-mulher não quer milhões de reais que lhe cabem como metade pela separação, ela não quer a casa de campo ou a da praia. Ela quer o marido de volta, mesmo que ele não fosse mais seu há muito tempo, ela quer aquele apego, ela quer fingir que ainda o tem. A todo custo.

Maria, que nem imaginava que um dia se encontraria nesta situação, quer apenas viver o seu grande amor, quer criar seu filho num ambiente seguro, quer viver, quer ser feliz, como todo mundo sempre quis.

Ele, o senhor, com seus 50 e poucos, quer paz. Quer o direito de ser feliz com quem julga agora ser a pessoa certa. Quer usufruir da sua maturidade e viver a plenitude de um novo amor jovem e renovado.

Todo mundo tem seu lado da história, todo mundo tem sua história. Escolham bem os caminhos de vocês meus amores e nunca esqueçam, família vem sempre em primeiro lugar, pois é ela quem faz seus dias serem mais felizes quando tudo o resto estiver em falta.


Lembram sobre viver com as consequências das suas escolhas? Para mim não há certo ou errado nesta história, e não nos cabe julgar ninguém. Apenas acredito que terão que aprender e aguentar o que eles escolheram viver.

Foto da internet

Maria agora espera a ira e raiva da ex-mulher passar para ter um pouco de paz e conseguir viver o que planejou. A ex deve pensar todos os dias aonde errou, onde o amor acabou, quando começaram a viver juntos, mas separados. O marido tem um novo filho pra criar, e aguenta as consequências de ter mais de uma família para sustentar. O bebê, cresce sem ter pai e mãe em paz, por consequência de algo que ele nem imagina ou teve chance de escolher.

Quaisquer que sejam os rumos que a vida tomar, os caminhos que venham percorrer, lembrem-se sempre que o amanhã é resposta de hoje. Sejam pessoas boas, valorizem a nossa família, mesmo ela não sendo perfeita, respeitem e amem as pessoas, seus sentimentos, suas histórias. Não pensem apenas em vocês, mas não pensem muito nos outros e se esqueçam de vocês. Busquem a felicidade e viver os dias fazendo o que vocês gostam de fazer.  Se respeitem. Conversem com Deus, acreditem em Deus e tenham temor à Ele. Os desejos mais profundos dos seus coraçõezinhos será realizado se vocês realmente acreditarem e for o melhor para vocês e para aqueles que vocês acreditam essenciais. 

Contem sempre comigo, que sempre buscarei ser uma mãe legal e presente pra vocês. Papai é um cara incrível também! Ele ama a mamãe bem muito, e vocês vão sempre ser a melhor parte de nós.

Amo vocês.

Pra sempre mamãe.

*Fifi - Caso não falem nos dias de vocês mais essa palavra, ela significava no meu tempo fofoqueira, daquelas que não tem o que fazer e só falam da vida dos outros.